Documentário Sem deuses, Sem Mestres: História do Anarquismo

Recentemente foi disponibilizado o documentário “Sem deuses, Sem mestres: História do Anarquismo“, dirigido por Tancrède Ramonet, legendado em português. O documentário realizado em três partes – de 52 minutos cada – busca retomar os principais acontecimentos dos últimos 150 anos de História Social, resgatando as origens e ações realizadas em nome do ideal político que tem lutado contra deuses e mestres. A partir de materiais de arquivo, além de vasta documentação, a série reconta a história do movimento anarquista internacional, de Paris a Nova Iorque, e de Tóquio a Buenos Aires.

Os episódios estão disponíveis online nos links abaixo:

1840-1906 – A paixão por destruição: https://youtu.be/x_L99OFlOh8

1907-1921 – Terra e Liberdade: https://youtu.be/cEMFuf3iWds

1922-1945 – Em memória do derrotado: https://youtu.be/JiZ1rhsbAYk

E para download (via torrent) em melhor qualidade no link: https://goo.gl/d3B576

Para download via torrent sugerimos a utilização do software qbittorrent, disponível para download em https://www.qbittorrent.org/

O Grupo de Estudos Anarquismo e Educação está de volta!!!

Depois de dois anos a Biblioteca Terra Livre volta a organizar o Grupo de Estudos de Anarquismo e Educação.

A ideia desse novo grupo é fazermos leituras e discussões não apenas históricas e filosóficas, mas também compreendermos a perspectiva pedagógicas dos/as anarquistas e libertários/as. Para isso, iniciaremos nossas leituras com as mais recentes publicações das Editoras Intermezzo e Biblioteca Terra Livre: “O Futuro de Nossas Crianças e outros Ensaios”, com textos de Élisée Reclus, Charles-Ange Laisant, Émilie Lamotte, Domela Nieuwenhuis e Jean Grave e “O Pedagogo não ama as crianças”, de Henri Roorda, publicado pela Intermezzo.

Os encontros serão realizados às terças-feiras a partir das 18h30 com periodicidade quinzenal na sede da Biblioteca Terra Livre. Infelizmente (ou não), nossa querida biblioteca está com o espaço muito reduzido por conta da quantidade sempre crescente de livros que incluímos em nosso acervo, da livraria e que também editamos, por isso, as vagas para o grupo são limitadas. Se tiver interesse em participar do grupo será necessária uma inscrição prévia pelo e-mail bibliotecaterralivre@gmail.com.

O primeiro encontro vai rolar dia 3 de abril e as inscrições vão rolar até dia 31 de março. Bora discutir a relação entre anarquismo e educação e mande um e-mail para nós!!!

Clique aqui para visualizar o evento do facebook

Ontem, agora e sempre, sigamos os ensinamentos do anarquista e sindicalista revolucionário Fernand Pelloutier:
Instruir para Revoltar!
Educar para Emancipar!

Nossas lembranças aos que se foram

No contexto sombrio que vivemos, onde a resistência não é uma questão de opção, é com muito pesar que recebemos a notícia da perda de dois companheiros de caminhada: Pepe Carballa e Eduardo Colombo. Apesar da dificuldade em articular as palavras no momento de despedida, em homenagem aos dois companheiros relembraremos brevemente suas trajetórias.

Pepe (à dir.) na III Feira Anarquista de São Paulo, em 2012

José Carballa, conhecido como Pepe, nasceu na Espanha e se radicou no Uruguai quando criança. Sofreu na pele a repressão política do país da década de 70, quando era estudante do Instituto de Enseñanza de la Construcción (IEC) e foi preso. Pepe participou, junto com outros oito presos políticos, de uma greve de fome nas vésperas das eleições nacionais de 1971, para denunciar os maus tratos que sofriam. Nas últimas décadas, ele foi o principal animador do Ateneo Heber Nieto (batizado em homenagem ao colega de Pepe no IEC assassinado pelo esquadrão da morte) e da Editora Alter, ambos de Montevidéu. Tivemos a alegria de recepcioná-lo e compartilharmos ideias e impressões sobre a situação política nas feiras anarquistas de 2012 e 2015.

Eduardo Colombo (2ª pessoa, da esquerda para a direita), em debate no Espaço Impróprio (São Paulo), em 2004

O companheiro Eduardo Colombo viveu dividido nos dois lados do Atlântico: na Argentina, sua terra natal, e na França, lar escolhido para viver seu exílio após a ditadura militar instaurada no seu país nos anos 1960. Na Argentina, Colombo fez parte da Federación Obrera Regional Argentina (FORA) e foi editor do jornal La Protesta, o periódico mais importante do anarquismo latinoamericano. Na França, escreveu seus trabalhos, tornando-se o principal teórico anarquista da segunda metade do século XX. Foi um dos fundadores e editores da revista Réfractions, dedicada ao pensamento libertário. Colombo veio ao Brasil em 2004, quando participou do Colóquio Internacional Movimento Operário Revolucionário, organizado pela Editora Imaginário e pelo, então, Coletivo Anarquista Terra Livre. Nos últimos anos, ele foi o principal colaborador da Revista da Biblioteca Terra Livre, onde pode-se ler em cada número um texto de sua autoria.

Aos que se foram, nossas lembranças, respeito e agradecimentos. Aos que permanecem, é preciso reunir forças entre nós para vencermos a tormenta. Nessa jornada, seguimos na companhia dos nossos companheiros. Em cada movimento que fazemos, estamos juntos com Pepe e Colombo.

 

Boas Festas – Isabel Cerruti

O natal é uma data que evidencia ainda mais a desigualdade social: poucos tem muito, muitos tem nada. Assim recordamos o artigo da anarquista brasileira Isabel Cerruti, escrito em 26 de dezembro de 1933 e publicado em A Plebe, que nos convida a refletir sobre o tema.

Que um dia os produtos do trabalho sejam repartidos de igual modo entre todos.

Biblioteca Terra Livre

Boas Festas

Resido no centro da cidade. E quem reside no centro da cidade, mais do que quem reside nos bairros, é que vê, em abundância, a dolorosa miséria dos deserdados de tudo, na sociedade presente.

Como não havia nada a fazer estive à janela a tarde do dia de natal. Via passar crianças alegres, cada qual exibindo os presentes de papai Noel… Crianças felizes, cujos pais ganham salários suficientes para honrar botar o tal papai Noel. Em outras, quiçá, cujos pais fizeram, talvez, sacrifícios para presentearem os filhinhos diletos, e vê-los sorrir ditosos, ao menos uma vez por ano, nesta data alvissareira, crentes de que “nem só de pão vive o homem…”

E é bem certo esse adágio. Como o nosso coração de idealista se expande na solidariedade dessa felicidade infantil! Pois bem nos lembramos, também, de quando éramos pequeninos, e a lembrança, somos gratos aos nossos queridos pais, quando nos faziam felizes presenteando-nos com um brinquedinho…

Da minha janela, absorvida nesses pensamentos, além de crianças e pessoas felizes, eu via passar, também, velhos maltrapilhos e crianças imundas, dessas para as quais o Natal nunca sorri, nem o papai Noel nunca se lembra. Pobres infelizes deserdados de tudo…

Duma casa, vizinha à minha, feliz, onde a criançada folgava à roda de espalhafatosa árvore de Natal, gozando os mais lindos e custosos presentes e saboreando as mais apetitosa as guloseimas, saiu correndo para a rua, a gozar um pouco de liberdade, aproveitando-se da distração dos donos, um lindo cachorrinho Lulu, trazendo à boca uma grande fatia de saboroso bolo de natal. Mas, por sinal, o animalzinho de estimação já estava farto demais, pois apenas chegado no passeio largou no chão a fatia de bolo, apenas mordidas numa pontinha.

Pensei comigo mesma: quantos lares sem pão, e quantas crianças, haverá hoje, que se sentiriam felizes com essa fatia de bolo que esse irracional bem tratado desprezou no meio da rua.

Nem bem concluir meu pensamento e vejo surgir dois garotos de uns sete a oito anos, um, e de dez a doze anos outro, trazendo ambos à tira colo, a caixinha de engraxates, sujos, maltrapilhos e mal nutridos.

Ao avistarem a fatia de bolo atirado no solo, atiraram-se ao mesmo avidamente, disputando-o. Afinal, de bom acordo, resolveram reparti-lo e lá se foram a caminho, juntos os dois, alegres pelo achado, comendo sofregamente aquela fatia de bolo amarelinha e sedutora, que um cãozinho de estimação havia largado no chão, farto de alimento e de gulodices.

A vista dessas coisas conjecturei comigo mesma: para que servirá a “Cruzada pró Infância” a “Liga das Senhoras Católicas” e outras instituições, quejandas que se propõem, todas elas, a proteger a infância e a defender-lhe o direito?…

Qual! O problema da miséria é insolúvel dentro da sociedade burguesa. Só mesmo quando os miseráveis se decidirem fazer justiça por suas mãos, estabelecendo o direito de todos trabalhar e gozar à farta o produto do trabalho -; teto, alimentação e roupa – do bom e do melhor para todos, é que a infância será de fato garantida em seus direitos: instrução, alimentação, folguedos, gulodices e brinquedos, para todos sem distinção.

Isa Ruti

São Paulo, 26/12/1933

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