Category Archives: Uncategorized

Chamado a solidariedade internacional

CHAMADO À SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL CONTRA A DESTRUIÇÃO DOS JARDINS OPERÁRIOS

Os anos que antecederam os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram cercados de muitas expectativas. Por um lado haviam aqueles que sonhavam com a projeção do Brasil como uma nova potência, capaz de grandes feitos, como a realização do inédito evento no Brasil, por outro, uma parcela da sociedade sabia que os custos sociais, políticos, ambientais e econômicos de tal evento cairiam sobre a sociedade, em especial sobre os mais explorados: pobres, imigrantes, mulheres.

Como uma cartilha macabra – aplicada incessantemente a favor das grandes construtoras, governos e bancos investidores – os Jogos Olímpicos seguem deixando seu rastro de sangue e destruição por todos os territórios que passam. E a realidade para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 não é diferente.

Como relatado na série de reportagens sonoras, intitulada Jardins da Comuna, o município de Aubervilliers, o segundo mais pobre da França que conta com uma enorme população de imigrantes, está enfrentando um intenso processo de especulação imobiliária e destruição das áreas comuns, em especial dos Jardins Operários, território fundamental para a garantia da soberania alimentar desta população em condição de vulnerabilidade extrema.

Para tentar conter a destruição deste território, no próximo sábado, dia 17 de abril, haverá uma série de manifestações em defesa dos Jardins.

Como toda luta social, quanto mais pressão e quanto maior a solidariedade internacional, maior a chance de vitória.

Neste sentido, convidamos todas as pessoas solidárias à luta a produzir uma imagem (foto | desenho) com mensagens em apoio as jardineiras e jardineiros de Aubervilliers e as árvores que já estão sendo arrancadas dos jardins (ex. msg.: Ipê amarelo (árvore da sua região) em solidariedade as cerejeiras /  alperces dos Jardins de Aubervielliers), para que estas mensagens possam ser impressas e levadas para as ruas de Paris no sábado (17) para integrar a manifestação.

As imagens podem ser enviadas por email (bibliotecaterralivre@gmail.com) ou postadas no Instagram marcando a @bibliotecaterralivre e @papacapim_sandra e utilizando a hashtag #JO2024

Outra forma de apoiar é assinando a petição: https://www.change.org/p/mairie-d-aubervilliers-jo2024-sauvons-les-jardins-des-vertus

Para escutar os episódios do Jardins da Comuna acesse: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/jardins-da-comuna/

Solidariedade é mais do que uma palavra!

BIBLIOTECA TERRA LIVRE NA FLIPEI 2021

De 18 a 28 de março de 2021, acontecerá a 4ª edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), e a Biblioteca Terra Livre estará mais uma vez presente nesse evento.

A festa acontecerá inteiramente on-line, devido à crise sanitária pela qual estamos passando, e terá como tema “Livros e Comunas Para Novos Futuros”, em homenagem aos 150 anos da Comuna de Paris. Serão 56 horas de programação virtual, com conferências, bate-papos, apresentações musicais e feira do livro, com mais de 103 editoras independentes.

Durante a Flipei, teremos disponíveis para venda, em nosso site, mais de 15 títulos com desconto de 25%, além dos nossos livros ilustrados e livros de editoras parceiras.

Para mais informações, acessem:

https://flipei.net.br/

https://www.instagram.com/flipeioficial/

Na Flipei 2021, há editoras e lojas parceiras que publicam e vendem obras de conteúdo socialista e libertário:

1000 Contra | Intermezzo Editorial | EntremaresMonstro dos Mares | Tenda de Livros | Terra sem Amos

Malatesta e as eleições

O que fazer depois que as eleições acabaram?

Essa pergunta motivou Errico Malatesta a escrever um texto há mais de cem anos. Uma questão que todos nós, anarquistas, devemos levar em conta: a propaganda antiparlamentar deve ser respaldada por ações concretas. Recomendados a leitura do texto abaixo para refletirmos sobre nossa ação política:

O Dever de honra
Publicado em L’Agitazione, Roma – 22 de setembro de 1901.
(Retirado de “Anarquistas, Socialistas e Comunistas”, Ed. Imaginário, 2014)

Acabaram as eleições.

Nós – quer dizer, todos os companheiros – fizemos tudo o que podíamos fazer para explicar ao povo esta trapaça que é a luta eleitoral, assim como seus danos. E trabalhamos bem. Mas agora nos compete um outro dever, e mais importante: mostrar – pelos fatos, obtendo resultados – que nossa tática é melhor do que a dos parlamentaristas; e que não somos simplesmente uma força negativa, mas queremos ser e somos uma força ativa, operante, eficaz, na luta pela emancipação do proletariado.

Combatemos os socialistas parlamentares e temos razão porque, em seu programa e em sua tática, há o germe de uma nova opressão. Se algum dia eles triunfassem, o princípio de governo que conservam e reforçam destruiria o princípio de igualdade social e abriria uma nova era de luta de classes. Mas, para ter o direito de combate-los, devemos fazer melhor do que eles.

Ter razão em teoria, sonhar com ideais superiores, criticar os outros, prever as consequências de programas incompletos e contraditórios, isto não basta. Mais ainda, se tudo se limita à teoria e à crítica e não serve de ponto de partida a uma atividade que procure e que crie as condições para pôr em obra um programa melhor, nossa ação corre o risco, ao contrário, de ser nociva na prática, entravando a ação dos outros, e isto para a grande vantagem de nossos inimigos comuns.

Impedir, por nossa propaganda, que o povo envie ao Parlamento, socialistas e republicanos (levando em conta que aqueles que são os mais acessíveis à nossa propaganda são precisamente os que, sem nós, votariam em candidatos antimonarquistas) é muito bom, se soubermos fazer, daqueles que arrancamos do fetichismo da urna, combatentes conscientes e ativos da emancipação verdadeira e total.

Caso contrário, teríamos servido, serviríamos aos interesses da monarquia e dos conservadores.

Pensemos todos nisto. Trata-se do interesse de nossa causa, de nossa honra, como homens e partido.

A propaganda isolada, ocasional, que frequentemente é feita com o objetivo de acalmar sua consciência, ou para dar simplesmente livre curso à sua paixão pela discussão, esta propaganda não serve para nada ou quase nada.

Ela é esquecida, perde-se antes que seus efeitos possam somar-se uns aos outros e tornar-se fecundos, tendo em vista as condições de inconsciência e de miséria das massas e, por outro lado, todas as forças que nos são contrárias. O terreno é muito ingrato para que sementes lançadas ao acaso possam germinar e produzir raízes.

É necessário um trabalho contínuo, paciente, coordenado, adaptado aos diferentes meios e às diferentes circunstâncias. É preciso que cada um de nós possa contar com a cooperação de todos os outros, e que em todos os lugares onde um grão tiver sido lançado, não falte o trabalho assíduo do jardineiro para cuidar dele e protege-lo até que ele tenha se tornado uma planta capaz de viver por si mesma e, por sua vez, espalhe novos grãos fecundos.

Há, na Itália, milhões de proletários que ainda são instrumentos cegos nas mãos dos padres; há milhões que odeiam o patrão com um ódio intenso, mas que estão persuadidos de que não se pode viver sem patrões e não sabem imaginar nem desejar outra emancipação senão a de tornar-se patrões, por sua vez, e explorar seus companheiros de miséria.

Há regiões imensas – exatamente a maior parte da superfície da Itália – onde nossa palavra jamais chegou, ou não deixou marcas sensíveis caso tenha lá chegado.

Existem organizações operárias, poucas, é verdade, às quais somos estranhos.

Desencadeiam-se greves onde, não preparados ou tomados de surpresa, não podemos nem ajudar os operários no combate que eles realizam, nem aproveitar a excitação dos espíritos para nossa propaganda.

Eclodem motins, quase insurreições, e nenhum de nós o sabe.

Há também a perseguição; aprisionam-nos, deportam-nos às centenas e aos milhares e encontramo-nos impotentes, não somente para reagir, mas até mesmo para atrair publicamente a atenção para as infâmias das quais somos vítimas.

Ao trabalho, companheiros! A tarefa é grande. Ao trabalhos, todos!

Homenagem ao centenário da morte de Neno Vasco

Há exatos 100 anos, o socialismo, o movimento operário e, especificamente, o anarquismo perdia um dos seus mais importantes militantes, Neno Vasco. Sua produção é vasta, diversificada e extensa, pois Neno escrevia desde peças teatrais, artigos de opinião, pesquisas históricas e teóricas sobre o anarquismo e sindicalismo revolucionário, até poemas e traduções em diversas línguas. Sua importância foi fundamental para o desenvolvimento do movimento anarquista tanto no Brasil quanto em Portugal.

Neno Vasco, pseudônimo de Gregório Nazianzeno de Moreira Queiroz e Vasconcelos, nasceu em Penafiel em 1878. Entre idas e vindas, suas atividades militantes junto ao movimento anarquista e operário transcorreram entre Brasil (1901-1911) e Portugal (1911-1920). Esteve à frente importantes periódicos de São Paulo, como O Amigo do Povo (1902-1904), e de Lisboa, como A Sementeira (1908-1919). Pouco inclinado à ação pública, Neno Vasco contribui mais como um propagandista do que como um ativista. Por meio da palavra escrita, destacou-se em inúmeras frente de luta no vasto horizonte libertário: na criação de uma estratégia sindicalista revolucionária, no engajamento com a causa anticlerical, na construção de uma tribuna antimilitarista, na preocupação com a emancipação feminina, na luta pela pedagogia libertária, dentre outras. Tais ações colaboraram para conferir o “tom anarquista” que caracterizou o movimento operário dos dois lados do Atlântico. Vitimado por uma tuberculose, Neno Vasco faleceu em 1920, com apenas 43 anos, na cidade de São Romão do Coronado.

Para homenagear esse importante militante anarquista, a Biblioteca Terra Livre, o Instituto de Estudos Libertários e a Livraria Ambulante Comuna de Patos reuniram uma série de textos contando um pouco sobre a vida, a obra e as reflexões desse que foi um dos mais célebres anarquistas de língua portuguesa.

Esperamos ter feito um trabalho à altura de sua importância. Boa Leitura!

PDF para a Brochura do centenário da morte de Neno Vasco, clique aqui!

Documentário: Öcalan e a questão curda

Após alguns meses de trabalho descontínuo, a Biblioteca Terra Livre tem o prazer de anunciar mais uma legenda em português para a difusão da luta curda. A tradução da legenda é frutos dos esforços colaborativos de membros da Biblioteca Terra Livre e apoiadores solidários! Agradecemos muito a todas pessoas que somaram esforços para que esta legenda fosse possível, bem como a Luis Miranda, diretor do documentário que gentilmente autorizou a publicação deste em nosso canal no YouTube.

Se você se interessou e quer saber como contribuir com o projeto de alguma forma, acesse o link: Quero Apoiar 

Sinopse:

O cerco da cidade síria de Kobane pelas tropas do Estado Islâmico apresentou o povo esquecido da história oficial: o povo curdo. Na Turquia, onde vive a maioria do povo curdo, os vários governos perpetuaram de forma violenta uma política de assimilação e negação. Em 1983, o PKK – Partido dos Trabalhadores do Curdistão – declarou guerra ao Estado turco. Isso desencadeou um conflito de 30 anos, que causou a morte de 40.000 pessoas, o deslocamento de milhões de pessoas e a destruição de milhares de aldeias. “Öcalan e a questão curda” descreve vinte anos de grandes esperanças e decepções na construção de um diálogo. Narra a crônica de um dos principais conflitos do Oriente Médio, por meio dos depoimentos de quem o viveu.