Por que não gritamos Diretas Já!?

Pode parecer óbvio neste contexto de eminente queda do atual presidente da república, logo após mais uma alarmante denúncia de facilitação econômica, suborno e uso abuso do poder, que o desejo popular seja pelas eleições diretas. Tal quadro poderia se justificar sobremaneira se lembrarmos quem será aquele que assumirá interinamente o cargo de presidente da república caso haja o afastamento ou deposição do atual, o nome de Rodrigo Maia soa tão tenebroso quanto o do anterior.

Seria então razoável imaginar que o chamado democrático seja pelas eleições Diretas Já. Mas a pergunta que fica é: Por que? Para que possamos o quanto antes ocupar nosso lugar na democracia? O único lugar no qual nos reconhecemos e somos reconhecidos? O lugar do eleitor!?

Ou por que acreditamos que temos um nome honrado, que poderá guiar o nosso país para a redenção política e econômica que tanto almejamos? Ou seria porque queremos que a ordem se estabeleça o quanto antes para que possamos voltar a cuidar de nossas vidas e não tenhamos mais que nos preocupar diretamente sobre isso.

Sim, talvez o exercício do voto seja a redenção para muitos, mas não podemos nos esquecer de que votar não muda nada, nunca mudou e nunca vai mudar.

Talvez, se tivéssemos um pouco menos de pressa para dar uma resposta definitiva, redentora e salvadora, nós pudêssemos respirar fundo e buscar construir ações que apontassem para um horizonte diferente daquele que os governos tem colocado para nós como o único possível.

A busca por uma saída mágica através das “Diretas Já!” ungida pelo suposto do “poder do povo” se tornará uma nuvem de fumaça para a consolidação dos retrocessos que estão em curso. O poder não está em nosso voto, mas sim na nossa capacidade de nos articularmos por fora e contra o Estado. Apesar dos limites impostos por seus organizadores, a paralisação nacional ocorrida no dia 28/05 mostrou a capacidade dos de baixo em se indignar e protestar contra a pouca-vergonha dos de cima. Agora é hora de irmos além: organizar a indignação e generalizar a revolta para agora barrar as reformas trabalhista e previdenciária.

Seria um primeiro vislumbre, ao invés de correr para as urnas, que nossas primeiras ações fossem motivadas por um desejo de justiça e se pautassem pela desobediência civil. Nada mais aviltante do que os lucros recordes dos bancos neste primeiro trimestre, os maiores de sua história, que nos lembram o quão refém estamos nós e os governos dessas instituições.

Vocês já se perguntaram o que o banco produz, que pode render a ele um lucro de R$6,18 bilhões em 1 trimestre? De onde sai este dinheiro? E por que os cortes aos direitos públicos são sempre colocados como a primeira alternativa para o equilíbrio das contas públicas, e não, como deveria ser, a última? Já se perguntou porque o Estado não impõe limite aos lucros exorbitantes obtidos por estas instituições? O Estado é como um cão faminto desesperado lambendo as botas de seu mestre – os bancos – por um punhado de ração.

Tivéssemos nós um pouco mais de tempo e coragem, nos inspiraríamos por todas aquelas respostas que mulheres e homens já ensaiaram por muitas partes e em muitos momentos: Tomaríamos as rédeas de nossas próprias vidas em nossas próprias mãos! Ao invés de acordar todos os dias para servir a alguém, por um punhado de ração, passaríamos nós a nos levantar todos os dias para não mais servir a alguém mas para, enfim, começar a construir aquilo que devemos e queremos fazer.

Bem sabemos nós das necessidades que temos diariamente. Sabemos bem que o que nos falta é o tempo, os recursos e algumas vezes as habilidades. Tomemos nós a responsabilidade de construir este novo horizonte. Ninguém poderá nunca fazer isso por nós.

Se a greve geral do dia 28 de abril relembrou o centenário da primeira greve geral da história do Brasil, talvez nós devêssemos ir além da lembrança e nos inspirar pelas ações daquelas pessoas. Que momento pode ser melhor do que este para construirmos ligas de bairro e assembleias locais (em nossas ruas, locais de trabalho ou grupos em que participamos) para começarmos a articular nossas demandas, sonhos e necessidades e implementarmos isso agora?

Por isso, se alguém vier perguntar:

– E agora que o presidente caiu, o que fazer?

A nossa resposta será:

– Primeiro, a desobediência civil e depois o começo da construção de um novo mundo para nós. Feito de nós por nós.

Kropotkin e a Revolução Russa

Pavel Milyukov e Piotr Kropotkin

Kropotkin e a Revolução Russa, por Mauricio Tragtenberg¹

Após longo exílio no exterior, Kropotkin regressou à Rússia sendo que os primeiros anos da revolução coincidiram com os seus últimos anos de vida. Participou de inúmeros projetos cooperativistas não-estatais e anteviu e criticou a hegemonia que futuramente teriam no Partido Comunista as tendências inquisitórias. Porém, rejeitava liminarmente que tais temas fossem motivos de campanhas anti-soviéticas.

Entre 8 e 10 de maio de 1919, Kropotkin teve uma entrevista com Lênin na casa de Vladimir Bonch-Bruyevich, destacado militante do Partido Comunista russo. O interesse dessa entrevista está no contraste entre as opiniões dos dois interlocutores. Nesse momento, Kropotkin parece acreditar que o regime soviético é verdadeiramente socialista e revolucionário e pode levar a uma série de conquistas populares, apesar dos desvios e corrupções que ele então denuncia a Lênin.

I. Encontro com Lênin, por Vladimir Bonch-Bruyevich.

II. Carta a Lênin – 4 de março de 1920.

III. Carta a Lênin – 21 de dezembro de 1920.

IV. Carta a Georg Brandes.

V. Carta aos trabalhadores da Europa Ocidental – 10 de junho de 1920.

[1] TRAGTENBERG, Maurício. Kropotkin: textos escolhidos. Porto Alegre: L&PM editores, 1987.

GRUPO DE ESTUDOS: Greve Geral de 1917

GRUPO DE ESTUDOS: Greve Geral de 1917

4 encontros (TERÇA, 19h30)
23/05, 30/05, 06/06, 13/06

Vagas limitadas (15 pessoas). Inscrições até 14/05.

Para se inscrever:

Enviar um e-mail para bibliotecaterralivre@gmail.com com o ASSUNTO: “GE Greve Geral de 1917”.

Na mensagem informar:

1) Nome;

2) Grupo ou coletivo que participa:

3) Motivos pelos quais gostaria de participar do Grupo de Estudos;

4) Tem possibilidade de acompanhar os 4 encontros? (sim ou não).

Devido a limitação de espaço físico nos vimos obrigados a restringir o número de inscrições. Enviaremos email com as inscrições confirmadas no dia 15/05. O grupo de estudos é gratuito.

PRIMEIRO ENCONTRO: Terça, 23/05/17, 19h30.

Leitura: INTRODUÇÃO, CAPÍTULOS 1, 2 e 3 (p. 1-126) de: LOPREATRO, Christina da Silva Roquette. O Espirito da Revolta: A Greve Geral Anarquista de 1917. Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, 1996.
https://we.riseup.net/assets/188046/O%20espírito%20da%20revolta%20A%20greve%20geral%20anarquista%20de%201917%20%28Christina%20Lopreato%29.pdf

Anarquismo e Revolução Negra e Solidariedade a Rafael Braga

O Coletivo Editorial Sunguilar e a Biblioteca Terra Livre juntam esforços para trazer uma nova impressão do livro Anarquismo e Revolução Negra, do pantera negra Lorenzo Kom`boa Ervin. O livro impresso e publicado pela primeira vez em português em 2015 foi lançado no dia 15 de novembro daquele ano durante a VI Feira Anarquista de São Paulo. A edição esgotou no mesmo dia e, desde então, não contou com novas reimpressões.

Esta nova tiragem busca dar visibilidade aos textos de Lorenzo Kom`boa Ervin, escritos em 1978, durante sua prisão, momento em que se aproximou das ideias anarquistas e construir uma visão alternativa sobre o processo revolucionário, pautando sua análise na Libertação Negra e na Justiça Racial, na destruição do sistema capitalista, do Estado e das formas de opressão encontradas e reproduzidas na sociedade.

Lorenzo aponta que os esforços da camarada Ginger Katz, uma das fundadoras da Cruz Negra Anarquista – grupo de apoio anarquista, que fornece literatura política em prisões, além de organizar ajuda material e legal para prisioneiros ao redor do mundo – foram fundamentais para que seus escritos de prisão pudessem se tornar públicos e conhecidos. As ações de solidariedade demonstradas na época por Ginger nos inspiram a buscar, com esta reimpressão do livro, formas efetivas de apoiar as lutas pela liberdade de Rafael Braga, jovem Negro, pobre, preso durante as manifestações de 2013 e condenado recentemente a 11 anos de prisão.

É neste contexto absurdo, em que mais uma vez o Estado apresenta sua face mais racista, violenta, autoritária e seletiva que juntamos esforços para apoiar a campanha Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira e sua família. Destinaremos R$10 da venda de cada livro para a campanha de Rafael Braga. O livro Anarquismo e Revolução Negra se encontra disponível para baixar AQUI e para a compra no link abaixo:

Outros títulos publicados pela Biblioteca Terra Livre estão disponíveis na seção Nossos livros.

Você também pode apoiar diretamente a família de Rafael Braga:

Lançamento do livro Şoreşa Rojavayê no Al Janiah

No último sábado estivemos, em conjunto do Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda de São Paulo e a editora Autonomia Literária, no Al Janiah para a atividade de lançamento do livro “Şoreşa Rojavayê: revolução, uma palavra feminina”, editado pela Biblioteca Terra Livre e pelo Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda de São Paulo e “A Revolução Ignorada”, pela Autonomia Literária, sobre a revolução em curso promovida pelo povo curdo.
Agradecemos ao companheiro Mauro Cardoso, que esteve nos últimos meses em Rojava, por trazer e compartilhar seu lúcido e sensível olhar sobre os recentes eventos que vivenciou em Kobanî e agradecemos a todas as pessoas que estiveram presentes.

Para saber mais sobre o processo revolucionário em Rojava o AntiCast entrevistou o Mauro Cardoso e a entrevista está disponível em: