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Leituras Libertárias #37: Altruísmo ou egoísmo?, Piotr Kropotkin

Alô, alô, ouvintes do Antinomia, sejam bem-vindos ao Leituras Libertárias, podcast da Biblioteca Terra Livre que apresenta a vocês textos anarquistas lidos em voz alta.
Hoje apresentamos o texto “Altruímo ou egoísmo” de Piotr Kropotkin.

Nesse texto, o anarquista russo pretende é enfatizar a relação entre discurso e prática. Ou seja, a transformação social precisa ser combinada com uma transformação individual. Se queremos uma sociedade igualitária sem nenhum tipo de exploração e dominação, precisamos lutar coletivamente contra as opressões mas também reconstruir as relações sociais, criando novas formas de sociabilidade.

Convidamos a todos e todas para acompanhar o Colóquio Internacional Piotr Kropotkin: Ativismo e Pesquisa, organizado por nós, da Biblioteca Terra Livre junto com o Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. O evento ocorrerá entre os dias 19 e 23 de julho e será inteiramente virtual. Para saber mais, acesse o site: kropotkin2021.com

Para escutar o episódio, acesse:

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Leituras Libertárias #36: Entrevista de Durruti a Van Passen


Seguindo as comemorações do aniversário de Buenaventura Durruti, trazamos mais um Leituras Libertárias em sua homenagem!

Agora, no episódio 36 (curiosa coincidência), trazemos trechos da entrevista de Buenaventura Durruti para o jornalista Pierre Van Passen, dada no dia 5 de agosto de 1936 e publicada no jornal canadense The Toronto Daily Star. A Revolução Espanhola tinha começado há pouco e Durruti já liderava a coluna militar que levava seu nome, estando no front de batalha. É de lá que Durruti fala da necessidade de derrotar o fascismo e de realizar a revolução social.

Em tempos nebulosos, em que negras tormentas seguem agitando os ares, vemos que as palavras de Durruti seguem de uma atualidade impressionante. Mais uma prova que ele segue nos nossos corações!

Viva Buenaventura Durruti!

Para ouvir, siga Antonomia nas seguintes plataformas:

Antinomia #61: Teoria queer e anarquismo

Logo após o Dia do Orgulho LGBTQIA+, o Antinomia contou nesse episódio com a participação de Bruno e Vinicius, anarquistas que tensionam a relação entre teoria queer e anarquismo. Conversamos sobre a batalha de Stonewall, o anarquismo queer e sua relação com as demais lutas sociais.

Escute Antinomia no Spotify, Android, Apple Podcasts e Google Podcasts.

INDICAÇÕES PARA SABER MAIS

“Não vão nos matar agora”, Jota Mombaca

Texto “Queer, esse é o Anarquismo, Anarquismo, esse é o Queer”

Aula “Movimentos queer: ação antipolítica e crítica da unidimensionalidade”, com Vinícius da Silva.

 

Malatesta e as eleições

O que fazer depois que as eleições acabaram?

Essa pergunta motivou Errico Malatesta a escrever um texto há mais de cem anos. Uma questão que todos nós, anarquistas, devemos levar em conta: a propaganda antiparlamentar deve ser respaldada por ações concretas. Recomendados a leitura do texto abaixo para refletirmos sobre nossa ação política:

O Dever de honra
Publicado em L’Agitazione, Roma – 22 de setembro de 1901.
(Retirado de “Anarquistas, Socialistas e Comunistas”, Ed. Imaginário, 2014)

Acabaram as eleições.

Nós – quer dizer, todos os companheiros – fizemos tudo o que podíamos fazer para explicar ao povo esta trapaça que é a luta eleitoral, assim como seus danos. E trabalhamos bem. Mas agora nos compete um outro dever, e mais importante: mostrar – pelos fatos, obtendo resultados – que nossa tática é melhor do que a dos parlamentaristas; e que não somos simplesmente uma força negativa, mas queremos ser e somos uma força ativa, operante, eficaz, na luta pela emancipação do proletariado.

Combatemos os socialistas parlamentares e temos razão porque, em seu programa e em sua tática, há o germe de uma nova opressão. Se algum dia eles triunfassem, o princípio de governo que conservam e reforçam destruiria o princípio de igualdade social e abriria uma nova era de luta de classes. Mas, para ter o direito de combate-los, devemos fazer melhor do que eles.

Ter razão em teoria, sonhar com ideais superiores, criticar os outros, prever as consequências de programas incompletos e contraditórios, isto não basta. Mais ainda, se tudo se limita à teoria e à crítica e não serve de ponto de partida a uma atividade que procure e que crie as condições para pôr em obra um programa melhor, nossa ação corre o risco, ao contrário, de ser nociva na prática, entravando a ação dos outros, e isto para a grande vantagem de nossos inimigos comuns.

Impedir, por nossa propaganda, que o povo envie ao Parlamento, socialistas e republicanos (levando em conta que aqueles que são os mais acessíveis à nossa propaganda são precisamente os que, sem nós, votariam em candidatos antimonarquistas) é muito bom, se soubermos fazer, daqueles que arrancamos do fetichismo da urna, combatentes conscientes e ativos da emancipação verdadeira e total.

Caso contrário, teríamos servido, serviríamos aos interesses da monarquia e dos conservadores.

Pensemos todos nisto. Trata-se do interesse de nossa causa, de nossa honra, como homens e partido.

A propaganda isolada, ocasional, que frequentemente é feita com o objetivo de acalmar sua consciência, ou para dar simplesmente livre curso à sua paixão pela discussão, esta propaganda não serve para nada ou quase nada.

Ela é esquecida, perde-se antes que seus efeitos possam somar-se uns aos outros e tornar-se fecundos, tendo em vista as condições de inconsciência e de miséria das massas e, por outro lado, todas as forças que nos são contrárias. O terreno é muito ingrato para que sementes lançadas ao acaso possam germinar e produzir raízes.

É necessário um trabalho contínuo, paciente, coordenado, adaptado aos diferentes meios e às diferentes circunstâncias. É preciso que cada um de nós possa contar com a cooperação de todos os outros, e que em todos os lugares onde um grão tiver sido lançado, não falte o trabalho assíduo do jardineiro para cuidar dele e protege-lo até que ele tenha se tornado uma planta capaz de viver por si mesma e, por sua vez, espalhe novos grãos fecundos.

Há, na Itália, milhões de proletários que ainda são instrumentos cegos nas mãos dos padres; há milhões que odeiam o patrão com um ódio intenso, mas que estão persuadidos de que não se pode viver sem patrões e não sabem imaginar nem desejar outra emancipação senão a de tornar-se patrões, por sua vez, e explorar seus companheiros de miséria.

Há regiões imensas – exatamente a maior parte da superfície da Itália – onde nossa palavra jamais chegou, ou não deixou marcas sensíveis caso tenha lá chegado.

Existem organizações operárias, poucas, é verdade, às quais somos estranhos.

Desencadeiam-se greves onde, não preparados ou tomados de surpresa, não podemos nem ajudar os operários no combate que eles realizam, nem aproveitar a excitação dos espíritos para nossa propaganda.

Eclodem motins, quase insurreições, e nenhum de nós o sabe.

Há também a perseguição; aprisionam-nos, deportam-nos às centenas e aos milhares e encontramo-nos impotentes, não somente para reagir, mas até mesmo para atrair publicamente a atenção para as infâmias das quais somos vítimas.

Ao trabalho, companheiros! A tarefa é grande. Ao trabalhos, todos!

Nossas lembranças aos que se foram

No contexto sombrio que vivemos, onde a resistência não é uma questão de opção, é com muito pesar que recebemos a notícia da perda de dois companheiros de caminhada: Pepe Carballa e Eduardo Colombo. Apesar da dificuldade em articular as palavras no momento de despedida, em homenagem aos dois companheiros relembraremos brevemente suas trajetórias.

Pepe (à dir.) na III Feira Anarquista de São Paulo, em 2012

José Carballa, conhecido como Pepe, nasceu na Espanha e se radicou no Uruguai quando criança. Sofreu na pele a repressão política do país da década de 70, quando era estudante do Instituto de Enseñanza de la Construcción (IEC) e foi preso. Pepe participou, junto com outros oito presos políticos, de uma greve de fome nas vésperas das eleições nacionais de 1971, para denunciar os maus tratos que sofriam. Nas últimas décadas, ele foi o principal animador do Ateneo Heber Nieto (batizado em homenagem ao colega de Pepe no IEC assassinado pelo esquadrão da morte) e da Editora Alter, ambos de Montevidéu. Tivemos a alegria de recepcioná-lo e compartilharmos ideias e impressões sobre a situação política nas feiras anarquistas de 2012 e 2015.

Eduardo Colombo (2ª pessoa, da esquerda para a direita), em debate no Espaço Impróprio (São Paulo), em 2004

O companheiro Eduardo Colombo viveu dividido nos dois lados do Atlântico: na Argentina, sua terra natal, e na França, lar escolhido para viver seu exílio após a ditadura militar instaurada no seu país nos anos 1960. Na Argentina, Colombo fez parte da Federación Obrera Regional Argentina (FORA) e foi editor do jornal La Protesta, o periódico mais importante do anarquismo latinoamericano. Na França, escreveu seus trabalhos, tornando-se o principal teórico anarquista da segunda metade do século XX. Foi um dos fundadores e editores da revista Réfractions, dedicada ao pensamento libertário. Colombo veio ao Brasil em 2004, quando participou do Colóquio Internacional Movimento Operário Revolucionário, organizado pela Editora Imaginário e pelo, então, Coletivo Anarquista Terra Livre. Nos últimos anos, ele foi o principal colaborador da Revista da Biblioteca Terra Livre, onde pode-se ler em cada número um texto de sua autoria.

Aos que se foram, nossas lembranças, respeito e agradecimentos. Aos que permanecem, é preciso reunir forças entre nós para vencermos a tormenta. Nessa jornada, seguimos na companhia dos nossos companheiros. Em cada movimento que fazemos, estamos juntos com Pepe e Colombo.